Breve ensaio sobre a bestialidade humana_Trailler
Entrevista do Poeta Miró concedida para o Interpoética por Cida Pedrosa
Parte 1
Parte 2
Vídeo da festa de aniversário, lançamento do Livro Quase Crônico e o Filme do Breve ensaio sobre a bestialidade humana.
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Entrevista no Diário de Pernambuco
Vídeo Bastidores do Livro Quase Crônico
Vídeo Gilberto Gil e Miró
Vídeo Miró no Recbeat 2006
Vídeo Interpoética
Em um país, onde o Célebre Carlos Drumonnd de Andrade costumava declarar que era impossível sobreviver, exclusivamente, com a produção de sua poesia, vale, pelo menos, se fazer um registro de quem consegue inverter esse quadro e, assim, se manter com a poesia que produz.
O autor dessa façanha é Miró, poeta maior das repúblicas independentes de Muribeca, que compreende o Conjunto residencial da ex-cohab e uma meia dúzia de distritos, como o Brasil novo, Muribeca Rua e Integração. João Flávio Cordeiro, mesmo distante das livrarias, do berço esplêndido e do mercado editorial, vive do que ganha em apresentações em escolas e outros espaços públicos e com o dinheiro da venda de seus livretos e dos direitos autorais de alguns poemas seus.
Antes de cair definitivamente nos braços da poesia, Miró, na época, com 22 anos, trabalhou, como servente, na SUDENE. Foi nesse ambiente de trabalho que ele teve um contato direto com a produção poética. O Poeta Wilson Araújo, que ocupava o cargo de diretor de turismo da SUDENE, cruzou o seu caminho, ao vê-lo cantarolar uma canção de Caetano Veloso, e ficou surpreso em ver um servente que gostava do famoso compositor baiano. Nessa época Miró buscava apoio para a publicação de seu primeiro livro “Quem descobriu o azul anil”. Araújo ajudou Miró a aprimorar e definir seu estilo e ainda lhe presenteou as resmas para que publicasse o livro.
Em 1985, na plenitude de sua juventude e o primeiro livro publicado, Miró pediu demissão da SUDENE, ganhou o mundo e nunca mais teve emprego fixo. Passou a viver exclusivamente da poesia. Como um camelô, vendia livros, cartões postais e camisas com versos estampados. Para chamar a atenção das pessoas, Miró lança mão de alguns adereços. Já foi visto com um chapéu de palha da tribo Indígena Funiô. A idéia, segundo o próprio poeta, é não se passar por um vendedor comum e, assim, não virar mais um chato na noite.
Ainda na década de 80, Miró desembarcou em São Paulo. Foi convidado para a bienal do livro, evento marcante na cena literária brasileira. Se apaixonou pela cidade paulista, por isso veio ao Recife se despedir da mãe e voltou para a terra da garoa que, segundo Miró, é o lugar perfeito para qualquer artista produzir. Foi em território estrangeiro que escreveu seu segundo trabalho “São Paulo é fogo”. Escreveu ainda “São Paulo eu te amo mesmo andando de ônibus”, apresentado como sua declaração de amor definitiva à cidade e assim foi convidado a participa do programa de Serginho Groisman.
Mesmo assim, voltou para Recife e em 2005, seu último trabalho produzido em São Paulo foi tema da tese de mestrado do comunicador André Telles Rosário, no centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco. Segundo Telles Rosário, entre a incerteza e a poesia, a experiência do poeta na cidade, expressa em “São Paulo eu te amo mesmo andando de ônibus”, Miró procura encontrar-se com o estranho conhecido São Paulo, cidade da mesma nação Brasil, e ao mesmo tempo de outro país, para quem vem do Nordeste.
Miró tem participação em várias coletâneas poéticas do país, sendo atualmente um dos mais representativos e atuantes poetas de Pernambuco, um dos coordenadores do projeto “Marginal Recife”, da Prefeitura da Cidade que, nos últimos três anos, lançou 30 livros. Além do documentário “Onde estará Norma”. Miró tem recentemente um curta, com roteiro e direção de Wilson Freire. “O nome do curta é: Preto, Pobre, Poeta e Periférico”. O vídeo mostra também o forte conteúdo social de seus poemas, através de intervenções poéticas com o próprio autor, em diversos pontos da cidade, desde o centro histórico, até as mais novas favelas, onde serão captadas as imagens do cotidiano correlacionadas com seus poemas. Será uma forma de documentar o hoje da cidade, sua geografia e suas pessoas, o modo de viver e o modelo de vida.
Texto: Lemon
AGORA QUE O BRA$IL VOLTA PRA CASA, 
TÁ NA HORA DE CUIDAR DE NO$$A$ CASA$ QUE CHUVA$ LEVARAM
DE UMA GENTE QUE NEM $E QUER $ABE ONDE FICA A HOLANDA
NEM PRECI$A $ABER
PRECI$A DE ÁGUA $APATO$ E ABRAÇO$
PRA CONTINUAR COM E$PERENÇA DE UM GOL NA VIDA
QUE A$ LAGRIMA$ DO$ JOGADORE$ E A TEIMO$IA DE DUNGA
$E TRAN$FOME EM TIJOLO$ PARA CON$TRUIR E CONVOCAR
UMA $ELEÇÃO DE DE$ABRIGADOS LÁ EM PALMARE$,
E$CADA, BARREIRO$,
ALAGOA$ ALAGADO$
E PERNAMBUCO CHORANDO PARA O MUNDO
UM POVO AMARELO
DA COR DA CAMI$A
AZUL DE MAGOA
MERGULHADO NA LAMA
BEM QUE A ADIDA$, NIKE, ITAÚ, COCA-COLA
E A VIVO
PODIAM MANDAR MEN$AGEN$ E TORPEDO$
PERGUNTANDO:
- VOCÊ$ ESTÃO BEM???

Quem sabe ao certo?
Qual será o destino de nossos prédios?
Quando será que o primeiro tijolo
vai sair da caneta, que o governador
assinou, para reconstrução da nossa
querida comunidade?
È tanta informação distorcida
Que tem gente indo embora
Sem ninguém mandar
Não vá!
e se for,
só vá se indenizar!...
Já estão até dizendo que a Camargo Correia comprou o nosso bairro.
MENTIRA!
Outros mais loucos dizem que aqui tem petróleo.
OUTRA MENTIRA!
Se aqui tivesse petróleo,
a Petrobras teria dinheiro suficiente para
con$truir outra ilha de prédios
Onde todos nos moraríamos.
Talvez até com mais conforto.
Tem também os que dizem que esse terreno interessa para alguns ricos de plantão
que estão invadindo Suape e praia do Paiva.
Se os ricos querem, é uma coisa,
Se você quiser sair, é outra.
Deixar sua historia para trás,
seus amigos,
suas noites sem perigo,
Já que em Muribeca você vai pra lá e pra cá
A hora quem bem quiser
Nossa comunidade é a maior Paz.
A guerra aqui seria
Lutar contra o preço da passagem,
A mais cara da área metropolitana
A guerra aqui deve ser
A luta Contra a falta d’água,
Como pode nove horas da manhã
não ter mais água nas torneiras?
Pense bem;
Cuidado com as armadilhas do auxilio moradia.
Lembre-se
O governo assinou
o dinheiro ta ai
Só não sei aonde...........................
Não saia sem saber pra onde
Sua casa é sua vida!
Poeta Miró da Muribeca



